O ENCANTADOR UNIVERSO GHIBLI

novembro 1st, 20095:40 pm @ Mylle Silva

0


O ENCANTADOR UNIVERSO GHIBLI

Uma das primeiras imagens que temos ao pensarmos em animações japonesas – os animês – são os desenhos de olhos grandes, com certo grau de violência ou ainda cheios de ninjas e bichinhos bonitinhos lutando entre si. No entanto, muitas vezes nos esquecemos que o mercado japonês é bastante diversificado e segmentado, além de esconder verdadeiras obras de arte por trás dessa aparente “cultura para os jovens”. Um bom exemplo disso é o diretor Hayao Miyazaki, que conquistou fãs no mundo inteiro fazendo animações para crianças.

Animais falantes, bruxos, dragões marinhos, construções que se movimentam, demônios, deuses, sereias… E uma infinidade de cores que mexem com a imaginação de qualquer um. Ao contrário das animações do estúdio Walt Disney, que apostam em “desenhos musicais” e em histórias de amor para cativar o público, Miyazaki lança mão do imaginário infantil para compor seus mais cativantes personagens.

O Estúdio Ghibli foi fundado em 1985 por Hayao Miyazaki e Isao Takahata. A animação “Nausicaä do Vale do Vento” é considerado o trabalho de estréia do estúdio, mesmo tendo sido lançado um ano antes da fundação do estúdio. Ghibli significa “ventos quentes soprando no Deserto do Saara” e era o nome dado aos aviões italianos que sobrevoavam a região. A teoria por trás do nome é de que o Estúdio Ghibli iria dar um sopro na mente dos criadores de anime.

Yasuki Hamano, professor da Universidade de Tóquio e amigo pessoal de Hayao Miyazaki, conta que o importante para o diretor são as crianças e por isso produz animações pensando nelas. Além disso, Miyazaki preocupa-se bastante com o meio ambiente, tanto que os lucros do longa “Nausicaä do Vale do Vento” (1984) foi doada para ações ambientais. Outra animação na qual é possível notar a preocupação com o meio ambiente é “Mononoke Hime” (1997).

Hamano é também diretor do Museu Ghibli, localizado em Tóquio e inaugurado em 2001. O espaço abriga várias exposições permanentes sobre a história e a ciência da animação, além de rascunhos, story boards, entre outros materiais de referência do estúdio. No topo do website do museu a seguinte frase está em destaque: “Vamos nos tornar crianças perdidas, juntos” (迷子になろうよ、いっしょに, Maigo ni narō yo, isshoni).

Hayao Miyazaki e Ghibli no Brasil

Na década de 90 foram lançados alguns VHS e DVDs no Brasil – entre eles “Meu Vizinho Totoro” e “Porco Rosso” – mas o público só voltou-se para o estúdio quando o longa “A Viagem de Chihiro” ganhou o Oscar de Melhor Filme de Animação, em 2003. Foi nessa mesma época que a animação chegou aos nossos cinemas, seguido de “O Castelo Animado”, que foi indicado ao Oscar de Melhor Animação em 2006.

Em julho de 2006 começou a ser publicado o mangá de Miyazaki que serviu de base para o longa “Nausicaä do Vale do Vento”, uma verdadeira obra prima que tem atraído o público. A publicação está no quinto número e irá até o sétimo, sem previsão exata de quando chegará ao fim.

De qualquer maneira, muitos fãs que têm acesso aos vídeos e conhecem a língua japonesa fazem legendas e distribuem as cópias pela Internet, facilitando assim o acesso ao material que quase nunca chega por aqui. Então se você ficou interessado em conhecer um pouco mais dos trabalhos do Estúdio Ghibli é só ir até a locadora mais próxima ou dar uma vasculhada na rede e se deixar levar pelo encantador universo Ghibli.

Leia também:

  • Share/Bookmark