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	<title>Memai &#124; Jornal de Letras e Artes Japonesas &#187; Bungaku (Tradução)</title>
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	<description>Memai &#124; Jornal de Letras e Artes Japonesas</description>
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		<title>POR TRÁS DA TRADUÇÃO DE LITERATURA JAPONESA</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Dec 2009 22:33:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Suzana Tamae Inokuchi</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bungaku (Tradução)]]></category>
		<category><![CDATA[leiko gotoda]]></category>
		<category><![CDATA[musashi]]></category>

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		<description><![CDATA[Durante bom tempo  traduções de literatura japonesa chegavam ao público brasileiro através de versões intermediárias. Em alguns casos tratava-se de tradução de quarto ou quinto grau. A partir dos anos 90, com o pioneirismo de Leiko Gotoda, que traduziu o épico Musashi, tudo começou a mudar: melhor para os leitores e para a arte. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A publicação de escritores japoneses em português vive um momento de  efervescência no mercado editorial brasileiro, com a predominância de traduções diretamente do japonês. Até o início dos anos 90 a maioria das traduções era indireta, de idiomas como o inglês e o francês. Além disso, no caso principalmente das edições norte-americanas, o texto era cortado e apenas as partes consideradas mais adequadas para o público leitor desses países eram conservadas. Assim, o leitor brasileiro estava sujeito a receber uma obra incompleta e voltada para um leitor diverso.</p>
<p>Isso é coisa do passado e lá se vai pouco mais de uma década desde que ocorreu a virada nas traduções do japonês no Brasil, com o lançamento, em 1998 e 1999, do romance em dois volumes <em>Musashi </em>(<em>Miyamoto Musashi </em>em japonês). Este romance épico de Eiji Yoshikawa, narra a vida deste famoso samurai que viveu nos séculos 16 e 17. E foi traduzido diretamente do japonês por Leiko Gotoda que, inicialmente, destinou a obra apenas aos filhos. Esta edição lançada pela Estação Liberdade é um marco não apenas para o contexto literário brasileiro, por ser a primeira a conter o texto integral de Yoshikawa em uma tradução feita no Ocidente.</p>
<p>Nesses dez ou onze anos, muitos títulos apareceram no mercado, aproximando dos leitores brasileiros vários prosadores de origem japonesa, como Yasunari Kawabata (Prêmio Nobel de Literatura, 1968), Junichiro Tanizaki, Yukio Mishima, Ryu Murakami, Kenzaburo Oe (Prêmio Nobel de Literatura, 1994), Haruki Murakami e o contista Ryunosuke Akutagawa. Não é difícil, também, encontrar mais de um título por autor – Kawabata (7), Tanizaki (7), Yukio Mishima (3) e Oe (3 livros) – podendo-se perceber o estilo individual de cada escritor. Este momento editorial propício abre espaço também alguns escritores japoneses menos conhecidos no país, como Genichiro Takahashi (<em>Sayonara, Gangsters</em>, Ediouro), Hitomi Kanehara (<em>Cobras e Piercings</em>,<em> </em>Geração Editorial) e Soseki Natsume (<em>Eu sou um gato</em>, Estação Liberdade).</p>
<p>Alguns nomes de tradutores se destacam nessa nova realidade. Além da precursora Gotoda (sobrinha de Junichiro Tanizaki), podemos destacar Meiko Shimon, Jefferson José Teixeira, Dirce Miyamura, Neide Hissae Nagae, Shintaro Hayashi, Madalena Hashimoto e Junko Ota. Vários deles relacionam-se com professores e/ou graduados em alguma das universidades com graduação de letras com habilitação em japonês ou do mestrado na área, existente na USP-SP. Cada um com seu estilo de tradução, mas com igual competência e conhecimento das duas línguas envolvidas, o japonês e o português.</p>
<p>Esse é um ponto crucial em uma tradução bem feita, não apenas o conhecimento da língua em que o texto foi escrito, mas um conhecimento igual ou superior da língua para a qual deve ser traduzido. Isso porque a tradução deve englobar duas realidades complexas: o conteúdo e o estilo do escritor, no caso em japonês e, também, uma forma de transmitir as informações também na língua para a qual o texto deve ser traduzido, ou seja, em português brasileiro. Sem isso, entende-se o significado, mas fica-se com a impressão de que o texto contém sentenças que não são usuais na nossa língua, e isso é bem desconfortável para o leitor.</p>
<p>Apesar da maioria desses títulos ser traduzido por um único tradutor, verifica-se, também, mas em menor número, a existência de traduções em conjunto. Há duas maneiras pelas quais isso pode ocorrer, a primeira é resultado do estudo conjunto de dois ou mais tradutores. Isso pode ser interessante, porque duas mentes se debruçam sobre o texto, em vez de apenas uma. A tradução do livro <em>Rashômon e outras histórias</em>, de Ryunosuke Akutagawa (de 1992 e, portanto, anterior ao <em>boom</em> da tradução japonesa), parece ter sido feita dessa maneira, porque os textos mantêm uma unidade textual.</p>
<p>Entretanto, há outra possibilidade, por uma necessidade de traduções em um curto espaço de tempo, os tradutores podem dividir o trabalho. O romance <em>As irmãs Makioka</em> (Estação Liberdade, 2005) foi traduzido por Leiko Gotoda, Kanami Hirai, Neide Hissae Nagae, Eliza Atsuko Tashiro. Esse formato de tradução foi exigência da editora. O que, a princípio, parece um grande esforço de vários profissionais no sentido de empreender uma tradução mais cuidada, tem o resultado contrário. Como cada tradutor ficou a cargo de aproximadamente um capítulo, a unidade do texto foi um pouco prejudicada. Assim, a tentativa de devolver um mesmo ritmo ao texto ficou a cargo da revisão de tradução.</p>
<p>É preciso equilibrar as questões de mercado com a qualidade da tradução. Por outro lado, esse dilema na adequação entre as exigências editoriais e a necessidade de boas traduções é uma discussão que permeia o processo com relação a outras línguas, como o inglês e o francês. Assim, o fato desta discussão surgir também no que se refere ao japonês apenas atesta que as traduções de títulos desse idioma alçaram o mesmo patamar ocupado pelas traduções em geral.</p>
<p>Dentro da nova realidade da literatura japonesa no Brasil, algumas editoras investiram entusiasticamente neste novo segmento. Além da já citada Estação Liberdade, que reserva a metade de seus lançamentos para a literatura japonesa, a Companhia da Letras é uma das que mais investiram nesse novo filão, tendo lançado vários títulos de escritores japoneses. Também a Editora Globo, a Geração Editorial e a Ediouro lançaram títulos de escritores japoneses.</p>
<p>Diferentemente da situação até meados da década de noventa, os lançamentos recentes são tantos que não podem ser encontrados na maioria das livrarias ou bibliotecas. Como a gama de títulos é bastante numerosa, funcionários especializados em literatura do extremo oriente, particularmente as literaturas japonesa e chinesa, foram contratados em alguns estabelecimentos. Um deles é a Livraria do Chain, atrás do prédio da Reitoria da Universidade Federal do Paraná. Lá, os livros de escritores desses dois países estão dispostos em prateleira separada e a atendente Amanda é a responsável por eles.</p>
<p>Além da intermediação direta feita por uma funcionária, outra maneira prática de escolher, dentre este leque de opções, é acessar a internet antes de se dirigir a uma loja. Duas indicações úteis são os sites das livrarias Cultura (<a href="http://www.livrariacultura.com.br" target="_blank">www.livrariacultura.com.br</a>) e Travessa (<a href="http://www.livrariatravessa.com.br" target="_blank">www.livrariatravessa.com.br</a>), que possuem muitos destes volumes. Um recurso interessante no primeiro desses sites é o acesso ao primeiro capítulo de alguns livros, uma espécie de aperitivo que incita a continuidade da leitura e equivale a folheá-los diretamente na livraria, sem deixar o conforto de nossas casas.</p>
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