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	<title>Memai &#124; Jornal de Letras e Artes Japonesas &#187; Isshin Denshin (Filosofia)</title>
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	<description>Memai &#124; Jornal de Letras e Artes Japonesas</description>
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		<title>O GATO WABI SABI</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Dec 2009 21:00:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lina Saheki</dc:creator>
				<category><![CDATA[Isshin Denshin (Filosofia)]]></category>
		<category><![CDATA[gato siamês]]></category>
		<category><![CDATA[lina saheki]]></category>
		<category><![CDATA[Wabi Sabi (Artes)]]></category>

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		<description><![CDATA[Siamês, angorá ou uma nova espécie hibrida ? Não  se trata de um cruzamento genético inusitado. É a "tentativa de contemplação e aceitação silenciosa da realidade em toda a sua finitude".]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;">No início deste ano eu e meu marido adotamos uma gatinha para nos fazer companhia. Seu nome é Foo. Não que Foo signifique alguma coisa, apenas gostamos da sonoridade do nome quando a veterinária comentou que no momento que a levássemos para casa a nossa outra gatinha iria fazer “foo” para ela por um bom tempo. Rimos, e acabamos adotando o nome. Bem, a verdade é que Foo, quando chegou, estava bem longe de ser um modelo de beleza felina. Mestiça de siamês com angorá, ela é uma gatinha bege com manchas marrons irregulares, com a orelha direita ligeiramente maior do que a esquerda e caprichosamente vesga. Na época, ela estava gripada e com fungos que deixavam crostas e buracos na pelagem. Por suas características, logo a apelidamos de “gato wabi-sabi”.</p>
<p>Wabi-sabi é uma percepção estética muito própria da cultura japonesa. Considerado de difícil, senão impossível, definição – é muito mais uma tentativa de contemplação e aceitação silenciosa da realidade em toda a sua finitude.</p>
<p>O olhar wabi-sabi busca reconhecer na impermanência e na imperfeição inerente à natureza, a consagração da beleza em sua totalidade.</p>
<p>Dito assim, esse conceito embora possa parecer de fácil compreensão intelectual, na vida prática prova ser um desafio de aplicação, ainda mais na sociedade contemporânea que parece ter uma sede insaciável pelo novo, moderno e jovem.</p>
<p>Conseguir contemplar e aceitar a beleza das marcas deixadas pelo tempo -seja na cerca da casa que está com a tintura desbotada, seja no bule que já está enferrujado e torto, ou nos sinais de nossa própria velhice que não tarda em chegar, &#8211; prova ser um exercício constante de meditação.</p>
<p>Nesse sentido, aceitar a beleza como um todo que supera a dualidade bonito/feio, jovem/velho, bom/mau parece nos aproximar, inclusive, da própria percepção taoísta de totalidade, como nos remete com freqüência o símbolo do Tao.</p>
<p>A vida perfeita é aquela que contempla e aceita as imperfeições, e não aquela que não possui imperfeições, pois essa última é incompleta e, portanto, não-perfeita. Assimétrica, irregular e impermanente assim é a natureza da vida, e assim é a  estética wabi-sabi.</p>
<p>Perceber a beleza do imperfeito e superar esse próprio conceito de imperfeito, nesse mundo que busca a “perfeição” a qualquer custo. Será que conseguimos?</p>
<p>Enquanto busco respostas para o meu desafio diário de viver uma vida mais wabi-sabi, a  minha gatinha, sem consciência desses paradoxos ou de sua falta de simetria brinca feliz  – soberana e perfeita – em toda a sua imperfeição.</p>
<p>É, tenho muito a aprender com ela.</p>
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		<title>O ESPÍRITO DO IDEOGRAMA</title>
		<link>http://www.jornalmemai.com.br/2009/11/o-espirito-do-ideograma/</link>
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		<pubDate>Sun, 01 Nov 2009 18:50:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lina Saheki</dc:creator>
				<category><![CDATA[Isshin Denshin (Filosofia)]]></category>

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		<description><![CDATA[No caminho do auto-cinhecimento, uma palavra, é - e não é - uma palavra: 一心伝心]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Conta a tradição que a origem do zen-budismo tem como marco uma transmissão sem palavras conhecida, hoje, como “o Sermão da Flor”. Nessa história, o Buda histórico, Sidarta Gautama, teria se mantido por um longo período em silêncio, apenas contemplando uma flor, diante de uma assembléia de discípulos ávidos pelos seus ensinamentos. Momento no qual um deles, Mahakashyapa, irrompeu o silêncio com um riso ao compreender o sentido inexprimível da flor e da existência. Correspondendo ao riso, Buda teria dito:</p>
<p>“<em>Eu possuo o Tesouro do Correto Dharma e a Maravilhosa Mente de Nirvana (Shobogenzo Nehan Myoshin) e agora o transmito a você.”</em></p>
<p>Traduzido frequentemente como <em>“transmissão de coração para coração”</em>, <em>“transmissão sem palavras”</em> ou <em>“transmissão de mente para mente”</em>, o termo <em>isshin denshin </em><strong>(</strong><strong>一心伝心)</strong>, tão amado pelos próprios japoneses, pode auxilliar as pessoas a compreender um pouco mais sobre como funciona a visão de mundo no Japão.</p>
<p>Nascido na China como pictograma que representava o coração físico e depois simplificado para facilitar a escrita, o ideograma <em>shin</em> ou<em> kokoro</em> (<strong>心</strong>) significa, a um só tempo, coração, mente e espírito. Assim, a moderna divisão/oposição que fazemos no Ocidente entre os conceitos de coração e mente – moderna, porque entre os romanos ele também sediava sentimentos, como <em>corda</em> &#8211; é superada por esse significante, cuja essência abarca, compreende e ultrapassa qualquer dualidade. <em>Shin </em>não é, portanto, apenas um órgão ou uma sede física, mas um dado imaterial. Já o símbolo do <em>ichi</em> (<strong>一</strong>), que significa, literalmente, “um”, é utilizado para representar a unidade. Por sua vez, o ideograma <em>den</em> (<strong>伝</strong>), que traz os radicais para pessoa e para o número dois, indica um modo de transmissão, caminho ou tradição.</p>
<p>Assim, o conjunto dessas representações busca traduzir um estado de espírito no qual a compreensão silenciosa do “outro” torna as palavras supérfluas, convertendo qualquer tentativa de comunicação formal não só em algo desnecessário, mas inútil.</p>
<p>No Japão, assim como na China, existe uma preocupação acentuada com a função das palavras e seus símbolos, bem como com a correta transmissão de sentimentos e sensações. Acredita-se que as palavras devam transmitir não somente mensagens “frias”, atreladas exclusivamente à sua representação formal. Mais do que isso, elas também devem transmitir valores que vão além (isso explica a grande preocupação estética presente na escrita oriental, que deu origem, por exemplo, ao <em>Shodô</em>). Valores que revelam e indicam o significado esotérico da própria palavra, ou seja, aquele que lhe é mais caro e que está vedado a receptores incapazes de percebê-lo. Afinal, como dizem os japoneses: <em>“as palavras têm espírito.”</em></p>
<p>Tal espírito-coração-mente pode ser apreendido e percebido, em parte, pelo próprio estudo dos ideogramas sino-japoneses conhecidos como <em>kanji</em> (ou <em>hanzi</em> na China). O estudo do <em>kanji</em> como caminho dessa aproximação revela, por exemplo, que o símbolo de honestidade, verdade, fidelidade &#8211; <strong>信</strong> (que também se lê  <em>shin</em>) &#8211;  é composto pela união de dois ideogramas: pessoa, <strong>人</strong> (<em>hito</em>) e falar, <strong>言</strong> (<em>iu</em>).</p>
<p>Esse é um único exemplo – capaz, porém, de abarcar completamente os múltiplos níveis de informação e significado presentes na escrita/leitura clássica de países como Japão e China. Uma palavra, enfim, é – e não é – apenas uma palavra.</p>
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