Kotoba (Editorial)

por Marília Kubota

Dizia-se, do nipólogo Donald Richie, que ele tinha adquirido uma “febre japonesa”, quando abandonou a carreira militar e resolveu morar no Japão. Richie se tornou um importante interlocutor da cultura japonesa e ajudou a divulgar artistas japoneses no Ocidente, como o cineasta Yasujiro Ozu.

Richie, Lafcadio Hearn, Donald Keene são apenas alguns americanos que foram contagiados pelo MEMAI   – a vertigem pela cultura japonesa.

Muitos artistas continuaram caindo nesta vertigem, como o poeta Paulo Leminski, que amava a cultura japonesa. Em 2009 completamos 20 anos sem o polaco zen. Faixa preta de karatê, frequentemente posava usando um quimono, como na foto da capa, feita num momento de descontração pelo fotógrafo Carlos Alberto Zanello (Macaxeira). Como conta em seu perfil, o jornalista Célio Yano, o tradutor de Sol e Aço conhecia a língua japonesa apenas cantando de ouvido, o que não o impediu de recriar o haicai com lirismo e humor  brasileiros e o sabor adstringente japonês.

Outra que se rendeu ao niponismo foi a cantora Fernanda Takai, vocalista da banda pop Pato Fu. A artista plástica Sandra Hiromoto (fã confessa) revela o lado japonês da  dona de voz macia, uma das mais afinadas do pop nacional.

Nesta edição ainda lançamos o personagem Chibi Seto, criado pelo cartunista Guilherme Match. Chibi Seto é uma homenagem descarada ao “padrinho” do JORNAL MEMAI: o múltiplo Claudio Seto.

E também relançamos o Concurso de Haicai Nenpuku Sato. O certame, realizado no Centenário da Imigração Japonesa, foi rebatizado com o nome do poeta grafado á japonesa. A partir da próxima edição publicaremos os melhores haicais recebidos, julgados pela haicaista Teruko Oda.

Mais novidades? É só folhear o jornal. Agora com 16 páginas: mais leitura vertiginosa!

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Page last updated on 2 de janeiro de 2010 at 1:18