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	<title>Memai &#124; Jornal de Letras e Artes Japonesas &#187; haikai</title>
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	<description>Memai &#124; Jornal de Letras e Artes Japonesas</description>
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		<title>NOTÍCIA : Site Caqui</title>
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		<pubDate>Sat, 02 Jan 2010 14:05:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jornal Memai</dc:creator>
				<category><![CDATA[Notícia]]></category>
		<category><![CDATA[caqui]]></category>
		<category><![CDATA[concurso de hakai nenpuku sato]]></category>
		<category><![CDATA[haikai]]></category>
		<category><![CDATA[kakinet]]></category>

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		<description><![CDATA[A revista online Caqui (www.kakinet.com), conhecida pelos amantes e prticantes de haikai no Brasil, publicou uma matéria sobre o Memai 01, falando um pouco sobre o conteúdo dessa edição, destacando o Concurso de Haikai Nenpuku Sato 2010, também divulgado pelo Caqui.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A revista online Caqui (<a href="http://www.kakinet.com" target="_blank">www.kakinet.com</a>), conhecida pelos amantes e prticantes de haikai no Brasil, publicou uma matéria sobre o Memai 01, falando um pouco sobre o conteúdo dessa edição, destacando o <a href="http://www.kakinet.com/cms/?p=474" target="_blank">Concurso de Haikai Nenpuku Sato 2010</a>, também divulgado pelo Caqui.</p>
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		<title>HAICAI &#124; Haicai no Paraná</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Dec 2009 21:43:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jornal Memai</dc:creator>
				<category><![CDATA[Haicai]]></category>
		<category><![CDATA[alice ruiz]]></category>
		<category><![CDATA[haikai]]></category>
		<category><![CDATA[helena kolody]]></category>
		<category><![CDATA[paulo leminski]]></category>

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		<description><![CDATA[O haicai no Brasil teve duas escolas, uma vinda da Europa, introduzida por Afrânio Peixoto e outra, do Japão, trazida por Nenpuku Sato. A via francesa, seguida por  Afrânio Peixoto, ganhou muitos adeptos e o mais famoso discípulo é Guilherme de Almeida. As duas escolas geraram vários outros estilos. Neste artigo, o poeta José Marins situa o haicai no Paraná e mapeia os estilos da forma poética japonesa que se tornou expressão nacional.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Artigo de José Marins, haicaísta e escritor, autor de <strong>Poezen</strong> (haicai); <strong>Quiçaça</strong> (romance inédito); <strong>O Dia do Porco</strong> (romance inédito)</em></p>
<p>O primeiro haicai feito no Brasil tem raízes japonesas. Foi realizado a bordo do Kasato-maru, navio que trouxe a primeira leva de imigrantes do Japão. Em 18 de junho de 1908, o poeta Hyokotsu (Shuhei Uetsuka, chefe dos imigrantes), escreveu:</p>
<p><em>karetaki o / miagete tsukinu / iminsen </em><em> </em></p>
<blockquote><p>A nau imigrante<br />
chegando: vê-se lá no alto<br />
a cascata seca.</p></blockquote>
<p>(Tradução Masuda Goga)</p>
<p><strong><span style="text-decoration: underline;">O ESTILO JAPONÊS</span></strong></p>
<p>O estilo japonês de fazer haicai chega ao Paraná com os primeiro migrantes que saíram do estado de São Paulo e se fixaram no Norte (Londrina, Assai, Urai). O haicai continuará sendo escrito em japonês nas aulas de um mestre da arte haicaística: Nenpuku Sato.</p>
<p>As características do estilo japonês são: ser vivencial (o poeta registra as sensações junto à natureza), sempre em língua japonesa, mantém na estrutura 17 sons, contém o termo de estação (kigo), não trazem rimas e uso de uma linguagem simples.</p>
<p>Alguns haicais de NENPUKU :</p>
<blockquote><p>A lua se insinua<br />
na alvura perfumada<br />
do <em>cafezal florido</em></p></blockquote>
<blockquote><p><em>Sementes</em> de algodão.<br />
Minhas mãos agora<br />
são as do vento</p></blockquote>
<blockquote><p>Mudou a moça<br />
que tira a água do poço –<br />
uma <em>borboleta</em>.</p></blockquote>
<p>Haicais de alunos de Sato:</p>
<blockquote><p>Depois dos sessenta<br />
minha voz está tranqüila.<br />
Mesma voz do <em>outono</em>.</p>
<p>Mitio Suguimoto (Londrina)</p></blockquote>
<blockquote><p>Outra <em>primavera</em><br />
Com novo anel de guizo<br />
cobra sai da toca</p>
<p>Shinshiti Minowa (Londrina)</p></blockquote>
<blockquote><p>Hoje é <em>Carnaval</em><br />
O quimono também serve<br />
como fantasia.</p>
<p>Shigeo Watanabe (Assai)</p></blockquote>
<blockquote><p>Parada de trem.<br />
com o vendedor de flores<br />
Vêm as borboletas</p>
<p>Sôshi Nakajima (Assai)</p></blockquote>
<blockquote><p>Estalos no alto,<br />
Ouço o som de pinhões caindo<br />
na tarde de sol.</p>
<p>Seizo Watanabe, (Curitiba)</p></blockquote>
<p><span style="text-decoration: underline;"> </span></p>
<p><strong><span style="text-decoration: underline;">O ESTILO KOLODYANO</span></strong></p>
<p><span style="text-decoration: underline;"> </span></p>
<p>Em 1941 a poeta Helena Kolody se torna a primeira mulher a publicar haicai no Brasil, ao lançar o livro <strong>Paisagem Interior</strong>, no qual havia três haicais. Destaco um deles, famoso:</p>
<blockquote><p>Arco-íris</p>
<p>Arco-íris no céu.<br />
Está sorrindo o menino<br />
que há pouco chorou.</p>
<p>Helena Kolody (Curitiba)</p></blockquote>
<p>Características do haicai kolodyano:</p>
<p>Usa: título (elemento que não existe no estilo japonês); às vezes a métrica; noutras a rima; a personificação (antropomorfismo); e a linguagem poética (uso da metáfora).</p>
<p>A maneira marcante de Kolody realizar seus haicais teve grande influência em alguns poetas.</p>
<blockquote><p>Geada</p>
<p>Nas manhãs de frio<br />
a paisagem, tiritando,<br />
se veste de branco</p>
<p>Delores Pires (Curitiba):</p></blockquote>
<blockquote><p>Renovação</p>
<p>Pessegueiro em flor<br />
Prenúncio de primavera<br />
Reprise de amor.</p>
<p>Diva Ferreira Gomes (Curitiba):</p></blockquote>
<blockquote><p>Noite</p>
<p>No quadro-negro<br />
vou soletrando<br />
um alfabeto de estrelas</p>
<p>João Manuel Simões (Curitiba):</p></blockquote>
<p><strong><span style="text-decoration: underline;">O ESTILO GUILHERMINO</span></strong></p>
<p><span style="text-decoration: underline;"> </span></p>
<p>Guilherme de Almeida foi um dos poetas que mais auxiliou na divulgação do haicai no país. Porém, sua maneira de fazer haicai distanciou-se muito da origem do poema. (O que não quer dizer que isso fosse ruim. Os japoneses adoram os haicais guilherminos, um deles era o mestre Masuda Goga, amigo pessoal de Almeida).</p>
<p>Guilherme de Almeida criou um modelo para se fazer o haicai, no qual entrava a métrica perfeita e quatro rimas. Duas combinavam-se no final do primeiro verso, com o final do terceiro. E duas, internas, rimavam-se a segunda sílaba com a sétima no segundo verso.</p>
<p>GUILHERME DE ALMEIDA:</p>
<p>O “haicai”                                                                             O esquema:</p>
<p>Lava, escorre, agita                                                         – – – –  A</p>
<p>a areia. E, enfim, na bateia                                            –  B – – – –  B</p>
<p>fica uma pepita.                                                               – – – –  A</p>
<blockquote><p>Pescaria</p>
<p>Cochilo. Na linha<br />
Eu ponho a isca de um sonho.<br />
Pesco uma estrelinha.</p></blockquote>
<blockquote><p>História de algumas vidas</p>
<p>Noite. Um silvo no ar.<br />
Ninguém na estação.E o trem<br />
passa sem parar.</p></blockquote>
<p>Características do estilo guilhermino:</p>
<p>Coloca acima do terceto um título; usa métrica exata; inclui quatro rimas elaboradas; sua linguagem é a do poema (personificação, metáfora).</p>
<p>Alguns poetas que praticam o haicai Guilhermino no Paraná:</p>
<blockquote><p>Temendo o negrume<br />
da mata ao som da cascata,<br />
sigo um vaga-lume.</p>
<p>Leonilda Hilgenberg Justus (Ponta Grossa)</p></blockquote>
<blockquote><p>Fraternidade</p>
<p>Chuva de verão.<br />
Na luz, a jovem conduz<br />
o avô pela mão.</p>
<p>Shyrlei Queiroz (Curitiba)</p></blockquote>
<blockquote><p>Maresia</p>
<p>O dia fugindo<br />
No ar um cheiro de mar.<br />
A noite vem vindo.</p>
<p>Delores Pires (Curitiba)</p></blockquote>
<p><strong><span style="text-decoration: underline;">O ESTILO HAICAI-LIVRE (Free-haiku)</span></strong></p>
<p>Paulo Leminski é quem encarna o principal líder desta forma, que nos anos 80 dominou a cena poética paranaense (curitibana, principalmente). Leminski tinha grande admiração pela cultura e literatura japonesas. Porém, quando praticava o haicai preferia um estilo livre, sempre portador de “haimi” (sabor do haicai).</p>
<p>As principais características do estilo livre:</p>
<p>Não usa métrica; pode usar rimas; busca o haimi; faz jogo de palavras; e, usa linguagem poética (metáforas, especialmente).</p>
<blockquote><p>soprando esse bambu<br />
só tiro<br />
o que lhe deu o vento</p></blockquote>
<blockquote><p>jardim da minha amiga<br />
todo mundo feliz<br />
até a formiga</p></blockquote>
<blockquote><p>lua na água<br />
alguma lua<br />
lua alguma</p>
<p>Paulo Leminski (Curitiba)</p></blockquote>
<blockquote><p>amigo grilo<br />
sua vida foi curta<br />
minha noite vai ser longa</p></blockquote>
<blockquote><p>entre a espuma do mar<br />
e a nuvem toda branca<br />
o voo da garça</p>
<p>Alice Ruiz (Curitiba)</p></blockquote>
<blockquote><p>tempo de jaboticaba<br />
nem bem começa<br />
já acaba</p>
<p>Domingos Pelegrini (Londrina)</p></blockquote>
<blockquote><p>cheguei amargo<br />
minha flauta doce<br />
nem se toca</p>
<p>Eduardo Hoffman (Curitiba)</p></blockquote>
<p><strong><span style="text-decoration: underline;">O ESTILO CLÁSSICO (tradicional)</span></strong></p>
<p>Em 1987, Masuda Goga, juntamente com um grupo de haicaístas, funda em São Paulo o Grêmio Haicai Ipê, com o propósito de estudar e difundir o haicai clássico (com forte ligação com o haikai originário japonês).</p>
<p>Alguns haicais de mestre Masuda Goga:</p>
<blockquote><p><em>Libélula</em> voando<br />
Pára num instante e lança<br />
a sombra no chão</p></blockquote>
<blockquote><p>Inúmeras flores<br />
nos túmulos de <em>Finados –</em><br />
Na alma só saudade.</p></blockquote>
<blockquote><p>No ar pétalas dançam<br />
Qual flocos de neve a cair<br />
<em>Pereira em flor</em>.</p></blockquote>
<p>Características do haicai clássico (haiku):</p>
<p>É vivencial (experiência do poeta junto à natureza); sem título; usa métrica 17 sílabas; contém o kigo (termo designativo de estação); sem rimas; e, usa linguagem simples.</p>
<blockquote><p>tal a brevidade<br />
daquela <em>estrela cadente</em><br />
fugiu-me o pedido</p></blockquote>
<blockquote><p><em>semente de ipê</em><br />
amadurecem nas vagens<br />
só o vento as leva</p>
<p>José Marins (Curitiba)</p></blockquote>
<blockquote><p>Um salto no abismo<br />
e o mergulho na mata.<br />
<em>Cascata</em> na serra.</p>
<p>Sérgio Francisco Pichorim (São José dos Pinhais)</p></blockquote>
<blockquote><p>Na folha de amora<br />
nutre-se o <em>bicho-da-seda</em>.<br />
A quem vestirá?</p>
<p>A. A. de ASSIS (Maringá)</p></blockquote>
<blockquote><p>Entre os bóias-frias<br />
um casal já bem grisalho<br />
colhendo <em>algodão</em>.</p>
<p>Neide Rocha Portugal (Bandeirantes)</p></blockquote>
<p>*Em itálico: kigos</p>
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		<item>
		<title>LITERATURA &#124; O Polaco Negro ZEN</title>
		<link>http://www.jornalmemai.com.br/2009/12/o-polaco-negro-zen/</link>
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		<pubDate>Wed, 30 Dec 2009 21:26:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Célio Yano</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[catatau]]></category>
		<category><![CDATA[haikai]]></category>
		<category><![CDATA[paulo leminski]]></category>

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		<description><![CDATA[Distante do lugar-comum, Paulo Leminski uniu genialidade a influências de toda sorte e, vinte anos após sua morte, segue como um dos principais difusores do haicaísmo em terras brasileiras ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O escritor, poeta, tradutor, filósofo, publicitário e etcétera Paulo Leminski foi tudo, menos o óbvio. Fugiu das regras desde o início, quando, em 24 de agosto de 1944 veio ao mundo: apesar de nascer em Curitiba, deslanchou e teve seu trabalho reconhecido a partir da capital paranaense, numa época em que poucos nomes de fora do eixo Rio-São Paulo despontavam nacionalmente. Filho de pai polonês e mãe negra, foi um dos principais difusores brasileiros da hoje mais conhecida forma de poesia japonesa: o haicai.</p>
<p>Duas décadas após a morte, ainda é estudado e cultuado como o núcleo de um movimento cultural único que passou pelo país. Nasceu como Paulo Leminski Filho, filho de Paulo Leminski e Áurea Mendes Campos. Ainda criança, morou em Itapetininga, São Paulo, e em Itaiópolis, Santa Catarina, antes de retornar à capital das araucárias. Entre os 13 e os 14 anos viveu no mosteiro de São Bento, em São Paulo, onde estudou, entre uma aula de ensino religioso e outra, latim, francês e hebraico. E no mesmo reduto beneditino, por meio de D. João Mehlmann, teve os primeiros contatos com as chamadas “filosofias orientais”, segundo relata o jornalista e amigo Toninho Vaz, biógrafo do escritor.</p>
<p>Poliglota, estudava japonês na década de 1960 quando começou a se interessar pela poesia de Helena Kolody, que desde os anos 40 trabalhava com o haicai. Gostou da distinta forma de literatura  e dedicou-se aos estudos e sua produção, embora não tenha se tornado fluente no idioma japonês, como muitos acreditam até hoje. “Ele identificava alguns ideogramas, apenas”, afirma a poeta Alice Ruiz,  casada com Leminski durante 20 anos.</p>
<p>Aos 18 anos participou da Semana Nacional de Poesia de Vanguarda, em Belo Horizonte, e conheceu os irmãos poetas Augusto e Haroldo de Campos e o professor Décio Pignatari, representantes do movimento concretista e que, de imediato, fascinaram-se pela precocidade do jovem curitibano. Dali, foi apenas um ano para Leminski publicar seus primeiros poemas na revista concretista Invenção. Até sua morte, foram 13 livros, de prosa, poesia, biografia e fotografia.</p>
<p>Chegou a cursar Direito na Universidade Federal do Paraná (UFPR), mas desistiu e direcionou sua formação para a área de Filosofia, curso que concluiu em 1965 pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Em 1968 casou com Alice Ruiz, com quem teve três filhos – Miguel Ângelo, Áurea e Estrela – antes de se separarem. Além de poeta e escritor, trabalhou como professor de história e redação em cursos pré-vestibulares, diretor de criação e redator em agências de publicidade, jornalista, crítico literário e tradutor. Fez até roteiros de histórias em quadrinhos para a extinta editora curitibana Grafipar.</p>
<p><strong>Samurai zen-budista</strong></p>
<p>Em abril de 1977, época em que escrevia para o Diário Popular, confirmava sua paixão pela cultura oriental ao publicar oito koans em uma edição especial do suplemento Anexo. O tema do caderno era ‘Zen e as artes marciais japonesas’. Seis anos mais tarde, lançou Matsuo Bashô, biografia do poeta japonês que codificou e estabeleceu a forma clássica do haicai.</p>
<p>Abra-se um parêntese. Eclético no sentido amplo da palavra, Leminski não se deixava influenciar apenas pelos japoneses. A prosa poética <em>Metamorfose</em>, por exemplo, surgiu a partir de seu interesse pelos mitos gregos. Como tradutor, verteu para a língua portuguesa obras, do francês, como <em>Supermacho</em>, de Alfred Jarry, do inglês, como <em>Pergunte ao Pó</em>, de John Fante, e <em>Um atrapalho no trabalho</em> de John Lennon, e até do latim, como <em>Satyricon</em>, de Petrônio.</p>
<p>Em 1985, com assessoria de Elza Taeko Doi e Darci Yasuko Kusano, traduziu <em>Sol e Aço </em>(‘Taiyo to Tetsu’), que Yukio Mishima escrevera em 1968. No ensaio, o japonês, que cometeria o harakiri em 1970, faz um tratado sobre o corpo e fala sobre a morte prematura. Ciente ou não de que o esgotamento precoce seria seu próprio destino, Leminski nunca deixava de se envolver pelas obras por que passava.</p>
<p>Que  motivos o levaram ao interesse pelo arquipélago do outro lado do mundo, ninguém sabe. Mas a ligação com o Japão do samurai zen-budista, como se autointitulava, não se restringia à literatura. “Tudo começou com o ingresso dele no judô, aos 22 anos”, conta Alice Ruiz, que lembra que culinária japonesa estava entre as preferências do ex-companheiro. E, de fato, até os últimos anos de sua vida, contam os amigos, orgulhou-se de ser faixa preta na arte marcial.</p>
<p>É na década de 1980 que surge a definição <em>samurai zen-budista</em>, que soma-se a outros epítetos, como <em>a besta dos pinheirais</em> e <em>cachorro louco</em>. Por Haroldo de Campos o denominava  <em>Rimbaud curitibano</em>, e o cineasta Júlio Bressane, <em>caipira cabotino</em>. Para Toninho Vaz foi o <em>bandido que sabia latim</em>.</p>
<p><strong>O Rio que Vai </strong></p>
<p>Letrista e músico foram outras atribuições que o poeta kamikaze cumpriu com habilidade, em parcerias que fez com Caetano Veloso, Moraes Moreira, Zeca Barreto, Carlos Careqa, Ivo Rodrigues, Arnaldo Antunes, entre outros. A mais ouvida canção é provável que tenha sido Promessas Demais, que era reproduzida diariamente na Rede Globo, na abertura da novela Paraíso, de 1982.</p>
<p>Alternativo ao extremo, teve por diversas vezes o nome ligado à cultura pop. Com Guilherme Arantes assinou a trilha sonora de Pirlimpimpim 2, programa infantil exibido na emissora de Roberto Marinho. Se entre os jovens de hoje poucos leram o Catatau, sua obra-prima lançada em 1975, é difícil encontrar alguém que desconheça a Pedreira Paulo Leminski, que desde 1990 acolhe espetáculos do clássico ao rock, do sertanejo ao religioso. E até as crianças devem se lembrar de ao menos um dos poemas do cachorro louco que eram lidas no Castelo Rá-Tim-Bum, da TV Cultura.</p>
<p><strong>Dor Elegante</strong></p>
<p>Personagem de uma vida tão ou mais interessante que a própria obra, deu um final típico de romance europeu do século 19 para sua biografia. Entusiasta do budismo apesar de polaco, era boêmio apesar de erudito, e desde cedo trilhou um caminho sem volta pelas vias do alcoolismo. O gatilho para a aventura derradeira foi a morte prematura do filho primogênito, Miguel Ângelo Leminski, que, em 1979, aos 10 anos de idade, deixou o pai órfão em consequência de um câncer.</p>
<p>Amigos tentavam de todas as formas demovê-lo das pás etílicas que cavavam seu túmulo, mas Leminski parecia ter a mais plena consciência de seu destino. Em seus últimos anos gostava de enaltecer a figura de Mishima, como forma de justificar atentados contra a própria vida, ainda que involuntários. Morreria em uma fria noite do inverno de 1989, vítima de cirrose hepática e possivelmente tranquilo como vivia. “Quanto à morte, eu sou nipônico. Eu nunca me confrontei com situações limites mas não tenho medo da morte”, disse certa vez.</p>
<p><a href="http://www.jornalmemai.com.br/wp-content/uploads/2009/12/leminski.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-113" title="leminski" src="http://www.jornalmemai.com.br/wp-content/uploads/2009/12/leminski-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a>se<br />
nem<br />
for<br />
terra<br />
se<br />
trans<br />
for<br />
mar</p>
<p>____<br />
ameixas<br />
ame-as<br />
ou deixe-as</p>
<p>_____<br />
aqui jaz um grande poeta.<br />
nada deixou escrito.<br />
este silêncio, acredito,<br />
são suas obras completas.</p>
<p>_____<br />
Tudo dito,<br />
nada feito,<br />
fito e deito</p>
<p>_____<br />
Essa idéia<br />
ninguém me tira<br />
matéria é mentira</p>
<p>_____<br />
aqui<br />
nesta pedra<br />
alguém sentou<br />
olhando o mar<br />
O mar<br />
não parou<br />
para ser olhado<br />
foi mar<br />
pra tudo que é lado</p>
]]></content:encoded>
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