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	<title>Memai &#124; Jornal de Letras e Artes Japonesas &#187; nana</title>
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	<description>Memai &#124; Jornal de Letras e Artes Japonesas</description>
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		<title>POP &#124; Mangá para Meninas</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Dec 2009 22:10:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Mylle Silva</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pop]]></category>
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		<description><![CDATA[Enquanto no Japão as revistas Shoujo servem de vitrine de inúmeras propagandas para as adolescentes, no Brasil essas mesmas estórias fazem com que as meninas leiam mais quadrinhos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>* O artigo a seguir também foi publicado no <strong>Almanaque Shoujo Mangá &#8211; O Pode da Sedução Feminina</strong> (Editora Escala, 2009)</em></p>
<p>Apesar de boa parte das meninas ler <strong>A Turma da Mônica</strong> durante a infância, a maioria delas afasta-se dos quadrinhos na adolescência. Ou melhor, afastava-se. Com o <em>boom</em> dos mangás no Brasil, notou-se um fenômeno muito interessante e que nada tem a ver com samurais, ninjas ou violência: as adolescentes começaram a ler mangás. Isso porque o mercado de mangás é bastante segmentado, ou seja, são publicadas histórias para todos os gostos e idades. O estilo Shoujo, voltado para meninas entre 10 e 18 anos, é capaz de prender a atenção de qualquer adolescente no mundo, por contar romances cheios de magia e dramas psicológicos – bem ao gosto da idade.</p>
<p>O primeiro contato com o estilo Shoujo que as meninas tiveram foi através dos animês. Séries como <strong>Guerreiras Mágicas de Rayearth</strong> e <strong>Sailor Moon, </strong>exibidas em canais abertos na década de 90, foram bem recebidas pelo público. É interessante observar que essas histórias possuem em seu enredo elementos mágicos, bastante fantasiosos, como <strong>Dragon Ball</strong> e <strong>Cavaleiros do Zodíaco</strong>, por exemplo. Apesar de voltadas para meninas, havia uma preocupação em apostar em animações além de meros dramas psicológicos.</p>
<p>Mangás como <strong>Sakura Card Captors</strong> e <strong>Guerreiras Mágicas de Rayearth</strong> foram alguns dos primeiros voltados para as adolescentes, ambos recheados de magia e estórias de fácil compreensão. Os animês sempre foram o termômetro para a publicação ou não de um mangá por aqui. No entanto, atualmente muitos dos títulos de Shoujo lançados no Brasil nunca tiveram as versões animadas exibidas.</p>
<p>Ao todo foram publicados cerca de 30 títulos. Esse número tende a aumentar ainda mais. Muitos, como <strong>Nana</strong>, <strong>Kare Kano</strong>, <strong>Ouran High School Host Club, </strong>nunca foram exibidos nem em canais pagos nem em TVs abertas. Mesmo assim, esses e outros mangás chegaram aqui e fizeram sucesso entre as meninas, atraindo-as para o universo dos quadrinhos, já que algumas delas acabam descobrindo novas possibilidades de leitura através dos mangás.</p>
<p>Assim como os espectadores de telenovela, as adolescentes esperam ansiosamente pelos próximos capítulos da estória – cuja publicação pode ser mensal ou bimestral. No mangá <strong>Sunadokei, </strong>a heroína, An Uekusa, passa por uma série de traumas na infância (separação dos pais, suicídio da mãe) e não sabe bem como lidar com as situações que vão aparecendo na vida. Para ajudar, é obrigada a mudar de cidade, separando-se do namorado. Também descobre que seu melhor amigo é apaixonado por ela, o que a faz sentir-se dividida. Qualquer semelhança com folhetins televisivos não é mera coincidência, os elementos para se contar uma estória de sucesso são universais, o que muda é a mídia.</p>
<p>Outro exemplo é <strong>Kare Kano</strong>, que começa com a história da divertida Miyazawa Yukino, uma menina que se finge de perfeita só para inflar o próprio ego e não admite que ninguém seja mais popular que ela. A situação muda quando encontra Arima Souichiro, um rapaz que aparentemente não faz nenhum esforço para se destacar e ainda por cima declara-se para ela. Depois de alguns desencontros eles ficam juntos e os dramas psicológicos ganham mais destaque, criando mistérios e histórias paralelas, assim como numa novela.</p>
<p>Alguns desses títulos, como <strong>Colégio Feminino Bijinzaka</strong> e <strong>Galism</strong> podem não agradar as fãs de <strong>Sunadokei</strong> ou <strong>Kare Kan</strong>o, mas estão conquistando novas leitoras: as mesmas  que lêem revistas de horóscopo, por exemplo. A heroína de <strong>Colégio Feminino Bijinzaka</strong>, En Nomomiya, é atrevida, revoltada e se mete em confusões, fazendo contraste interessante com o que é mostrado sobre as jovens em outros mangás Shoujo – comportadas, apaixonadas e sofredoras.</p>
<p>Uma personagem como En Nomomiya é mais parecida com uma adolescente brasileira do que An Uekusa, que mais se parece com uma jovem japonesa. A imagem de uma mulher decidida e independente está mais próxima de nossa realidade que a da moça submissa e indefesa, motivo pelo qual algumas leitoras deixarem de gostar do estilo Shoujo ao atingirem certa maturidade. Portanto é provável que mais títulos como <strong>Colégio Feminino Bijinzaka</strong> apareçam nas prateleiras tupiniquins.</p>
<p>Em contrapartida às estórias em que o enredo é mais próximo da nossa realidade, não faltam títulos mais fantasiosos e cheios de magia para embalar os sonhos das adolescentes. <strong>Vampire Knight</strong>, por exemplo, tem como heroína Yuuki Cross, adotada pelo diretor de uma escola para vampiros e não tem outra opção senão conviver com eles. A garota faz parte de um triângulo amoroso, uma vez que dois vampiros parecem ser apaixonados por ela, e muitos outros querem beber seu sangue.</p>
<p>Com as facilidades da Internet, as fãs de Shoujo reúnem-se e trocam idéias em  comunidades de sites de redes de amigos, blogs, fóruns, mensagens instantâneas ou quaisquer outros meios de comunicação online. A comunidade do Orkut CLAMP Brasil conta com mais de 15 mil membros – uma das maiores na rede sobre o assunto.</p>
<p>Por ser um nicho vasto é quase impossível enumerar todas as estórias e estilos relevantes. Independente da proximidade com o universo real, é importante ressaltar que os Shoujos são estórias capazes de gerar certa reflexão por parte das leitoras, por conter tramas carregadas de temas comuns a todos: amor, família, separação, sexualidade, futuro, etc. A experiência da leitura é rica e prazerosa, além de ter o dinamismo característico dos mangás. Portanto, se você ainda não conhece o estilo Shoujo é só ir até a banca mais próxima e procurar por um dos vários mangás do gênero já publicados no Brasil. E tenha uma boa leitura!</p>
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